sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Resenha #1 - Rosas de Chumbo - Daniela Bonafé



Rosas de Chumbo

Daniela Bonafé

Toma Aí Um Poema (Selo Praga)

Lançado em 2025



É um desafio escrever sobre uma ferida histórica sem panfletagem. Em Rosas de Chumboa escritora Daniela Bonafé consegue esse feito com grande sensibilidade. Seu livro nos apresenta 50 mulheres que foram torturadas e mortas durante os anos da ditadura militar brasileira. 

Fruto de uma pesquisa acurada, Daniela deu uma voz única a cada uma dessas mulheres. Para isso, se utilizou de diversos gêneros textuais, tais como: relatos, cartas, poemas, contos, letra de música cifrada, cordel, um monólogo teatral! – atestando sua versatilidade na escrita e seu zelo em deixar florescer a personalidade de cada uma dessas pessoas por meio da palavra precisa. 

Daniela passou 7 meses pesquisando os arquivos da Comissão da Verdade para somente depois fazer o recorte necessário para a escrita do livro. (Façamos uma breve pausa em memória das mulheres que Daniela não conseguiu apresentar por falta de material, informação ou documentaçãomulheres literalmente apagadas na História). 

O projeto gráfico de Jéssica Iancoski destaca em negro uma linha do tempo que aborda fatos entre os anos de 1964 a 1983; fatos tão alheios aos anos de chumbo, que alguns quase beiram ao folclórico. 

Nas páginas clarasos holofotes voltam-se para muitas as violências sofridas: agressões, estuprosdesaparecimentos de entes queridos, suicídiosDaniela expõe esses temas cruéis de forma sensível, mas vigorosa, mostrando a dor das mulheres e a cicatriz que esse período deixou para sempre na História do Brasil. 

Os textos que mais gostei foram: para Maria Augusta Thomaz; para Ranúsia Alves Rodriguespara Ieda Santos Delgadopara Jana Moroni Barrosopara Luiza Augusta Garlippepara Suely Yumiko Kanayama; para Carmem Monteiro dos Santos Jacomini; para Lyda Monteiro da Silva. 

Os textos que mais me emocionaram (leia-se “me fizeram chorar; fazia tempo que não chorava com um livro”) foram: para Valmira, irmã de Alceri Maria Gomes da Silva; para Íris Amaralpara Lígia Maria Salgado Nóbrega; para Maria Lúcia Petit e para Áurea Eliza Pereira. 

Cito seus nomes para que jamais esqueçamos. 

Com prefácio de Monique Bonomini e posfácio de Amelinha TelesRosas de Chumbo merece ser lido, discutido e celebrado! 

Literatura sempre! Ditadura nunca mais! 



Publicado também no Substack do Lhano Zine em 11 de agosto de 2025. 



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